Educação, cultura e internet: Violência e Superexposição

(fonte: http://tn.temmais.com/noticia/5/19717/agressao_em_escola_de_sorocaba_abre_discussao_sobre_limites_em_sala_de_aula.htm)

Agressão em escola de Sorocaba abre discussão sobre limites em sala de aula

Da Redação/TV Tem

Alunos e pais envergonhados, pais preocupados. O TEM Notícias voltou nesta sexta-feira à escola onde um estudante agrediu uma colega de classe. A briga foi gravada e foi parar na internet. Agora o que todo mundo está se perguntando é: onde vai parar a violência  nas escolas?

Veja o video direto no site clicando aqui.

Reflexos da sociedade

Confira a análise da psicóloga Silvia Limoni sobre o assunto:

Hoje em dia, esses acontecimentos são bastante comuns em nossa sociedade. Tanto a violência, como essas postagens de vídeos na internet são assuntos corriqueiros na televisão e na rede. Ao postarmos um vídeo “polêmico” na internet, corremos o risco do vídeo virar assunto nacional, como foi o caso, por exemplo, da mulher traída, de Sorocaba, que virou “celebridade” porque o vídeo disseminou-se rapidamente pela rede, fugindo de seu controle.

É importante lembrar que embora o caso tenha ganhado repercussão por conta da traição e do poder de disseminação da rede, o vídeo apresentava cenas fortes de intimidação e violência. Isso mostra que o caso desse adolescente representa uma tendência semelhante: envolve, ao mesmo tempo, violência e exposição pública do mundo privado.

Sabemos que a violência é um fenômeno transgeracional, ela vai atravessando as gerações, passando de pais para filhos. Não apenas no sentido direto, concreto, mas também na questão da cultura, dos gostos, dos costumes. Não é segredo para ninguém que as gerações dos últimos 30 anos cresceram tendo como heróis muitos personagens de filmes violentos, que valorizavam a força física, agressões, situações de violação de limites e os diversos tipos de transgressão. Desde as mais insignificantes até aquelas com consequências desastrosas e trágicas.

Dentro desse quadro, pensando o nosso tempo por essa ótica, este vídeo não representa algo isolado ou um fenômeno situacional. Ele é reflexo da educação, da cultura, principalmente da cultura de massa, que serviu de elemento sempre presente na formação da subjetividade das gerações nas últimas décadas.

É importante que não nos prendamos a esse caso isolado de forma isolada, mas sim que nos voltemos para pensar a formação dos jovens (educação, cultura, saúde, trabalho, lazer) na nossa sociedade, e que busquemos enfatizar esta questão como um problema crucial para a agenda política do próximo governo.

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Sobre ldcfonseca

Psicólogo, professor universitário. Membro da atual diretoria do Sindicato dos Psicólogos de São Paulo. Membro do FLAMAS - Fórum da Luta AntiMAnicomial de Sorocaba. Membro do comitê gestor do Núcleo Sorocaba da Associação Brasileira de Psicologia Social - ABRAPSO. Mestrando em Psicologia Social pelo IP-USP. À escuta do não dito. Por uma sociedade SEM manicômios.
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