Afastem de nós esse “cale-se”: censura e fascismo midiático

Maria Rita Kehl confirma demissão

Por Bruno de Pierro
Do Brasilianas.org

A psicanalista Maria Rita Kehl não escreverá mais para o jornal O Estado de S. Paulo. A decisão foi tomada na última quarta-feira pelo jornal, segundo informou Kehl para a reportagem do Brasilianas.org.

A publicação do artigo “Dois Pesos…“, no último sábado (2), pelo qual denunciou a desqualificação dos votos das classes C e D, foi o motivo do desligamento, principalmente depois que os boatos de que seria demitida tomaram espaço em redes sociais e blogs na Internet.

Assim que soube da possibilidade de demissão, a psicanalista tentou negociar com a editora do Caderno 2, sugerindo que passasse, então, a escrever mais sobre psicanalise e menos sobre política, apesar deste tema atrair muito o interesse dela.

De acordo com Kehl, é provavel que alguém da redação tenha ouvido a conversa entre elas e divulgado que o jornal voltaria atrás em sua decisão, dando esta condição à colunista. Com isso, a polêmica ganhou forma. “Tenho a impressão de que o jornal acha que eu é que repercuti a conversa na Internet”, afirma.

Kehl explica que o jornal nunca interferiu no conteúdo de seus textos, mas se diz surpresa pelo fato da decisão ter sido tomada sem uma conversa prévia sobre o artigo. Mesmo assim, ela acredita que a medida não teve interferência direta de algum político ou partido, apesar do caráter político.

“Não defendi programa de governo. Dizem que quando o pobre vota por uma causa, é porque o voto está comprado. Foi sobre isso que escrevi”, explica.

Do Terra Magazine

Maria Rita Kehl: “Fui demitida por um ‘delito’ de opinião”

Bob Fernandes

A psicanalista Maria Rita Kehl foi demitida pelo Jornal O Estado de S. Paulodepois de ter escrito, no último sábado (2), artigo sobre a “desqualificação” dos votos dos pobres. O texto, intitulado “Dois pesos…”, gerou grande repercussão na internet e mídias sociais nos últimos dias.

Nesta quinta-feira (7), ela falou a Terra Magazine sobre as consequências do seu artigo e o motivo de sua demissão:

Maria Rita Kehl – Fui demitida pelo jornal o Estado de S. Paulo pelo que consideraram um “delito” de opinião (…) Como é que um jornal que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?

Leia abaixo a entrevista.

Terra Magazine – Maria Rita, você escreveu um artigo no jornal O Estado de S.Paulo que levou a uma grande polêmica, em especial na internet, nas mídias sociais nos últimos dias. Em resumo, sobre a desqualificação dos votos dos pobres. Ao que se diz, o artigo teria provocado conseqüências para você…
Maria Rita Kehl – E provocou, sim…

Terra Magazine – Quais?
Maria Rita Kehl – Fui demitida pelo jornal O Estado de S.Paulo pelo que consideraram um “delito” de opinião.

Terra Magazine – Quando?
Maria Rita Kehl – Fui comunicada ontem (quarta-feira, 6).

Terra Magazine – E por qual motivo?
Maria Rita Kehl – O argumento é que eles estavam examinando o comportamento, as reações ao que escrevi e escrevia, e que por causa da repercussão (na internet) a situação se tornou intolerável, insustentável, não me lembro bem que expressão usaram.

Terra Magazine – Você chegou a argumentar algo?
Maria Rita Kehl – Eu disse que a percussão mostrava, revelava que se tinha quem não gostasse do do que escrevo, tinha também quem goste. Se tem leitores que são desfavoráveis, tem leitores que são a favor, o que é bom, saudável…

Terra Magazine – Que sentimento fica para você?
Maria Rita Kehl – É tudo tão absurdo…a imprensa que reclama, que alega ter o governo intenções de censura, de autoritarismo..

Terra Magazine – Você concorda com essa tese?
Maria Rita Kehl – Não, acho que o presidente Lula e seus ministros cometem um erro estratégico quando criticam, quando se queixam da imprensa, da mídia, um erro porque isso, nesse ambiente eleitoral pode soar autoritário, mas eu não conheço nenhuma medida, nenhuma ação concreta, nunca ouvi falar de nenhuma ação concreta para cercear a imprensa. Não me refiro a debates, frases soltas, falo em ação concreta, concretizada. Não conheço nenhuma, e, por outro lado..

Terra Magazine – …Por outro lado…?
Maria Rita Kehl – Por outro lado a imprensa que tem seus interesses econômicos, partidários, demite alguém, demite a mim, pelo que considera um “delito” de opinião. Acho absurdo, não concordo, que o dono do Maranhão (Senador José Sarney) consiga impor a medida que impôs ao jornal Estado de S.Paulo, mas como pode esse mesmo jornal demitir alguém apenas porque expos uma opinião? Como é que um jornal que está, que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?

Terra Magazine – Você imagina que isso tenha algo a ver com as eleições?
Maria Rita Kehl – Acho que sim. Isso se agravou com a eleição pois, pelo que eles alegam agora, já havia descontentamento com minhas análises, minhas opiniões políticas.

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Sobre ldcfonseca

Psicólogo, professor universitário. Membro da atual diretoria do Sindicato dos Psicólogos de São Paulo. Membro do FLAMAS - Fórum da Luta AntiMAnicomial de Sorocaba. Membro do comitê gestor do Núcleo Sorocaba da Associação Brasileira de Psicologia Social - ABRAPSO. Mestrando em Psicologia Social pelo IP-USP. À escuta do não dito. Por uma sociedade SEM manicômios.
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